Control: a história de Ian Curtis

Weirdo | 18 de dezembro, 2007

Outro dia desses, minha atenção foi capturada por um post no blog vizinho. Eu já havia ouvido falar do filme, mas ainda não tinha nenhuma notícia mais sólida. Assisti ao trailer e resolvi procurar informações sobre o lançamento no Brasil. Como não há nenhuma previsão pra chegada aqui, resolvi buscá-lo na internet.

‘Control’ é o que eu chamaria de um filme essencial. Não apenas por contar a história do Joy Division, mas pelas atuações de quase todo o elenco que demonstrou uma impecabilidade incrível. O ator Sam Riley, na verdade, me assustou. A semelhança na imitação dos passos de Ian Curtis e na desenvoltura tanto para dançar quanto para cantar, foram realmente estimulantes.

A densidade do filme é outro ponto que eu destacaria, certamente. A escolha do preto-e-branco traz um clima nostálgico e ao mesmo tempo profundo. A trilha sonora, absurdamente bem desenhada - talvez não por mérito da produção, mas pelo ambiente e pelo que se tocava na Inglaterra naquela época - remonta os passos de uma das bandas mais geniais de todos os tempos. Ressalto também uma excelente caracterização de Bernard Sumner e Peter Hook - ou, hoje em dia, New Order -: um, inseguro demais e o outro, despreocupado e inconseqüente.

Acabei me tornando suspeito pra dizer que o que vale a pena, no fim das contas, é o conjunto da obra. Não dá pra falar tão fácil assim depois de ter afirmado que gostei de tudo. Mas gostei. E aguardo para ver nos cinemas, se é que um dia o filme vai chegar por aqui.

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sobre o fim de semana passado

Weirdo | 8 de dezembro, 2007

Período compreendido entre 29-11 e 01-12

Ok, eu já passava um bom período de descrença com as batidas 4 x 4 na cidade. Obviamente, por pura questão de gosto. Sentia falta de um som mais encorpado na pista e achava um desperdício mover o público à base de minimal vazio e sem graça. Eis que resolvi fazer um tour para ver o como andava a cara do som pela noite. E não me desapontei.

Comecei na Nix, na quinta-feira e ouvi alguns DJs fazendo média com o público da casa, que é bem diferente do underground ao qual estou acostumado. Mesmo assim, a grande maioria não deixou perder o sentido e a motivação do som e continuou mantendo a própria cara para mover aquela pista cheia de leigos. Foi bem divertido.

Na sexta, de volta ao underground, fui à Discotech de um ano e já me assustei logo antes de entrar. Alan Villar, DJ que tinha ouvido tocar uma vez, se não me engano, já puxava um som forte e cheio, em plenas 23 horas. Nem acreditei. Gostei do set, mesmo notando uma certa falta de experiência do ainda novo houseiro. Mas gostei bastante. Até algumas incursões pelo abandonado techno eu ouvi. E a mudança no som pro set de Hopper e Rafael Crispim também soou bastante agradável. O som continuou cheio - e GORDO, como som de pista de dança tem que ser - e me deleitei por um bom tempo com um repertório divertido e mixagens excepcionais. Depois dessa, pensei: ainda há esperança do 4 x 4 voltar a fazer minha cabeça. Munido dessa esperança, resolvi arriscar mais uma e fui no sábado para a miniMAX.

Pronto. O começo gradual da festa com o minimal já me assustou. Mas lá pela uma da manhã, o bassline já havia ganho os “quilinhos a mais” necessários pra mexer mais que cérebros. E valeu a pena. Loghã, que tinha um som tanto quanto parado (na minha opinião) tocou forte e dançante. Mas cá entre nós, quando vi o Komka tocando faixas recheadas de canais e exageradamente grooveadas, até desci pra pista apertada do Landscape. Surpreendente e gratificante. Todo mundo tocando GORDO e gostoso, haha… Nada como estar de volta às pistas.

O house me convenceu, afinal.

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DJ Marky em entrevista

Weirdo | 22 de novembro, 2007

Depois da recente visita a São Paulo, a tendência é sempre dar uma desanimada com o ritmo mais lento da cidade. Essa história de sair todos os dias, de não ter destino e poder levantar e ir à rua a qualquer hora é bem mais sedutora que as diárias oito horas ‘obrigatórias’ de sono.

Nessa passagem por lá, conheci alguns clubs novos, mas gostei mesmo do Clash. Uma bela estrutura de som, iluminação, bar, ar-condicionado e gente bonita. A festa foi a Marky & Friends, de drum’n bass. Um ambiente agradável, DJs afinados, só o sistema de som que poderia estar um pouquinho mais no ponto, mas isso não foi nada no decorrer da noite.

De quebra, trouxe da viagem uma hora e meia de papo com o DJ mais famoso do país, disponível no DNB Online. Recomendo, ele falou de muita coisa boa. Seguem os links:

DJ Marky - Parte I
DJ Marky - Parte II

sobre o planeta terra festival

Weirdo | 12 de novembro, 2007

Eis que caí de pára-quedas no Planeta Terra Festival. Cheguei deveras tarde, por causa do atraso no meu vôo de Brasília para SP e acabei perdendo o show do Tokyo Police Club. Mas cheguei a tempo de ver os primeiros minutos de Layo & Bushwacka! no espaço dos DJs.

Confesso que não me apeteceu muito e não tardei a ir ouvir CSS. Um show divertidíssimo, com a banda que - agora - toca bem e faz uma boa festa no palco. Valeu a longa caminhada. Mas àquela altura, eu já precisava de algo um pouco mais forte para balançar o esqueleto. Acabei indo ver o gringo Vitalic. E foi uma bela caminhada de volta, compensada por um techno forte, encorpado e vibrante. Matei um pouco da saudade do som, mas não podia perder o show do The Rapture e corri de volta, após breves 40 minutos de techno.

Ali realmente vi uma banda que faz um show animado e cheio de ritmo. Uma boa execução de todas as faixas, que realmente soam como o som de estúdio. Nota dez.

Outra nota dez eu daria para a organização do festival que acertou no som, na limpeza, na decoração, enfim, em quase tudo (pra variar, era Pepsi e não Coca-cola - erro grave, haha). A festa até me ganhou mais ainda quando tive a oportunidade de ouvir pela segunda vez a dupla Layo & Bushwacka! que me animou bastante. O começo do set foi morno mesmo, mas eles realmente tem uma noção de progressão muito parecida com a que eu acho justa. Um belo set, bem mixado e tocado na hora certa e duas horinhas extras de diversão garantida! Espero o do ano que vem.

Priorizando a música

Weirdo | 5 de novembro, 2007

Com as marcadas e - consideradas - enfadonhas discussões acerca da escolha do formato que o DJ utiliza, perdemos de certo modo o foco no mais importante, que é a qualidade da música. Então, talvez por isso, eu queira retornar à essa discussão para destacar alguns pontos que me motivam a continuar comprando meus bons, velhos e fiéis bolachões, e que evidenciam que uma coisa está ligada à outra.

A música representa uma parcela tão importante na vida da maioria das pessoas hoje, que acabou se tornando efêmera. Ninguém ouve os mesmos sons por muito tempo e já não se criam mais faixas clássicas. Claro: os clássicos de amanhã são as músicas de hoje, mas vamos parar pra pensar: estamos no tempo do transitório. Não surgem mais grandes artistas que ficam no topo por 10 anos. Os iPods - incluindo o meu - possibilitam que você leve toneladas de faixas que nem serão ouvidas e a cada dia é preciso buscar um novo ciclo de ditas ‘inovações’ para que se continue a vender música. Isso quando ela chega a ser vendida.

O que eu penso: a música é a mensagem. Ela deve chegar ao seu receptor. O problema, é que ela chega cada vez menos. Para o público, a música perde a eficiência quando ela passa a não marcar mais. Quando perdem-se os hits, porque a todo dia existem novas faixas a serem tocadas. Dizem que não importa o meio que se utiliza para passar a mensagem, desde que ela chegue. Pra mim não é bem assim. O meio utilizado já coloca um sentido totalmente diferente na mensagem em si. Ele trata e traz consigo uma série de valores culturais e cultura, meus amigos, é o que faz existir o conceito de cena. Dizem também que um DJ de verdade prioriza só a música. Se fosse assim, toda a tonelada de wannabes que estão por aí, já teriam tomado o lugar de muitos bons nomes. É fácil pegar o chart do mês e mixar. Aliás, pra quem não é DJ e não sabe, mixar é ridiculamente fácil. DJ de verdade prioriza a música e a cultura. Pois sem cultura, acabamos como estamos, sem graça nenhuma.

E é por isso que acredito que o meu formato, tão amado, já está morto há tempos no Brasil. Porque não se discute cena, não se transmite mais cultura e se esgotaram os fóruns de discussão, que agora só servem como ‘classificados’. A gente não arruma mais inimigos defendendo opiniões, o que é verdadeiramente triste.

Outro ponto negativo: a facilidade de se conseguir músicas - e eu falo da mania de brasileiro de tentar tirar vantagem de tudo - faz com que elas fiquem cada vez mais descartáveis. Todo mundo agora quer tocar, ser DJ. Ninguém quer pagar um download. É só entrar no soulseek ou ser amigo de alguém que tenha a música e esquecer que um dia já respeitamos artistas. DJs escolhem seu formato e o fazem da maneira que melhor os cabe. Só gostaria que a maioria buscasse um pouco de informação e valorizasse o trabalho alheio, pagando quase nada pelo MP3.

A música digital e a tecnologia estão aí e, acreditem, elas não são negativas. As pessoas e a falta de discussão, leia-se cultura, é que são.

PS.: aproveitando o ensejo, digo e repito que Andy C é definitivamente o melhor DJ de drum’n bass do mundo. E como na cena jungle ainda se lança em vinil, é nele que me espelho. Pra quem gosta de uma boa quebradeira, fica a dica do vídeo a seguir:

http://www.breakbeat.co.uk/DNBTV/default.aspx?programID=100446

where’s the DJ?

Weirdo | 3 de novembro, 2007

Esse fim de semana acabei preso à rede por mais tempo que realmente desejei. Na verdade a falta de festas às quais eu me animaria a ir realmente foi fator determinante para isso. Mas acontece, quando você se habitua com certos tipos de som e entra na chamada cultura de nichos. Não teve drum’n bass, não teve ragga, não teve techno (como sempre), então nem animei a ir para a rua.

Claro que conta também aquele velho medo bobo de sair para ouvir gente de quem nunca ouvimos falar. Dá uma certa preguiça, pois eu acredito que é melhor arriscar ir a uma festa quando se tem certeza de que há pelo menos um DJ que pode agradar seu gosto.

Brasília realmente precisa de um club. Daqueles que dá espaço para muitas vertentes e que se torne uma espécie de ponto de encontro da música eletrônica da cidade, que por enquanto só tem o Beirute como centralizador. Acabamos bebendo e esquecendo de ir às festas. E até de fazê-las, de vez em quando…

Acho que já é hora de sair de casa, pois até a internet está conspirando contra meu ócio. Senhor Andy C, o melhor DJ de drum’n bass do mundo, está fazendo um set irritantemente bom aqui no meu desktop e isso só me faz sentir mais falta de festas e de dançar.

Asa de águia e as vogais

Weirdo | 26 de outubro, 2007

Este post provavelmente não deveria ter vindo parar aqui. Acontece que me comprometi comigo mesmo a publicar no tuntistun as minhas divagações sonoras. Ontem tive um momento de reflexão sobre isso.

“Encontrei” (no msn) e conversei com uma amiga com quem não falava há muito. Uma das perguntas iniciais foi se eu continuava a freqüentar aquelas “festas estranhas com gente esquisita”. E isso, vindo de alguém que não perde uma boa visita de uma banda de axé à cidade fez a resposta fluir rapidamente. Foi algo em torno de que era ela e não eu quem freqüentava shows com pessoas que andavam seminuas no frio, sedentas por troca de fluídos e ao som de músicas que, em que grande parte do tempo, trazem um vocalista cantarolando para terminar a rima, já que não soubrou criatividade para criar o resto dos versos, e eu vou à festas estranhas com gente esquisita? E foi aí que comecei a refletir. Deveriam criar um novo tipo show com essas bandas… “Aprenda a cantarolar com Chiclete com Banana” ou “Asa de Águia e as Vogais”. Pensem: “cara-cara-ô”, “lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-ô-mi-ô-mai”, “ulê-lê-lê-ulê-lê-lê-lê-lê”, “ae-ae-ae-ae-ê-ê-ê-ôôôô”, “ôôôôô” e por aí vai.

Enfim, século XXI, Brasília já recebeu toda a sorte de grandes nomes da música eletrônica, inclusive alguns representando tanta unanimidade que quebrariam um show de axé, facilmente. Eu sou daqueles que não gosta mesmo de ficar em cima do muro. Eu gosto do que quero e defendo o que acho bom, até ter motivos para não mais fazê-lo. Mas dizem que a convicção é sempre uma faca de dois gumes, pois te coloca numa posição respeitável quando é possível mantê-la e te tira toda a credibilidade quando não é. Mas todo mundo muda de idéia às vezes, não?

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techno girl

Weirdo | 19 de outubro, 2007

Olha, eu preciso falar isso: eu gosto REALMENTE de techno. Não é bater na mesma tecla, é apenas insistir em dizer que o som ainda é extremamente envolvente e me faz arrepiar enquanto o ouço. E a bola da vez, selecionadíssimo no iPod é o set novo da DJ Anali, de São Paulo. Ela realmente fez uma seleção recheada com sonoridades que contemplam quase tudo o que eu gosto. Cá entre nós, essa senhorita sabe mesmo como começar e terminar um belo set. Cheio de groove, com o peso na medida certa e cheio de faixas que me fariam, certamente, pular por uma boa hora.

Ela começa com um remix e termina com outro. O primeiro é uma nova releitura do clássico “Horn Track”, de Egyptian Empire, se não me engano de 1991. Não é a do Luke Slater que rolou por aí lá pelas bandas de 2003/2004 pelas mãos dos techneiros que mais faziam minha cabeça na época, um magrelo e outro careca sardento. A faixa traz toda a motivação para ouvir o set inteiro. Ao final, fui presenteado com uma outra releitura, essa para o cláááááááááááássico “The Bells”, de Jeff Mills, numa versão sinistra! Essa merecia rewind.

Tá bom, chega de papo, recomendo o set da DJ paulista e pronto. Vale o download, a audição e a saudade desses techneiros molengas que não fazem festa com som de pista.

Link: http://rapidshare.com/files/58298438/ANALI_promo_dj_set.mp3

Só pra constar, atualizei o post abaixo com uma versão em 128 KBPs do meu set de house pra quem me pediu para gravar em CD!

Big up!!!

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House mix online: No Popero, Yes Tuntistun

Weirdo | 6 de outubro, 2007

No Popero, Yes Tuntistun

E eis que saiu, com uma semana de atraso, o set que estava tentando fazer e colocar online. É uma verdadeira salada, predominantemente de house music, todos discos que venho comprando descompromissadamente no decorrer dos anos. Boa parte do set é composta por clássicos e está bem divertido. Estritamente coisa de pista de dança. Não criem grandes expectativas acerca das mixagens porque o som reto não é, de fato, minha praia. Mas de vez em quando é divertido se aventurar em terrenos diferentes.

O nome é “No Poperô, Yes Tuntistun” e abaixo, segue a relação das músicas. A idéia de “regressive house” é mesmo um trocadilho com o progressive, mas não tem nada a ver com esse som. Espero que ouçam e se divirtam.

 
 No Poperô, Yes Tuntistun [78:01m]: Play Now | Play in Popup | Download (10)

Chemical Brothers - Block Rockin’ Beats
Daft Punk - Da Funk
New Order - Bizarre Love Triangle
Everything But the Girl - Missing
Lil’ Louis & The World - French Kiss
Future Sound of London - Papua New Guinea
Altern8 - Brutal-8-e
Basement Jaxx - Romeo
Daft Punk - Burnin’
Groove Armada - Superstylin’
Armand Van Helden - You Don’t Know Me
Cassius - 1999
Basement Jaxx - Where’s Your Head At?
Xpress 2 feat. David Byrne - Lazy
Phats & Small - Turn Around
Tori Amos - Professional Widow
Layo & Bushwacka! vs. Kings of Tomorrow - Love Story vs. Finally
Alter Ego - Rocker
Armand Van Helden - Witch Doktor
Gisele Jackson - Love Commandments

Edit: em tempo, para quem pediu uma versão em 128 KBPs para gravar, segue o link: http://www.zshare.net/audio/50868679a463ffc5/

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new mix soon

Weirdo | 22 de setembro, 2007

Eu tava aqui pensando com meus botões e acho que já passou da hora de fazer um mix set em comemoração à minha entrada pro grupo de bloggers do tuntistun. O nome do set já tá definido, vai ser “No Poperô, Yes Tuntistun” e deve sair até a sexta da semana que vem. Com certeza vai ser um set de house music, com muita coisa com vocal, velha e divertida, sem esses timbres repetitivos da house de hoje. Coisa de quem gosta de música divertida, pra rebolar, sem frescuras e nem conceitos.

Vou montar um tracklisting e volto em breve.

E vendo na TV, a nova propaganda do novo aparelho da Nokia, o 5200, me ocorreu processar a empresa por plágio do slogan do DNB Online, afinal “O que nos liga é a música” é bem parecido com “A música nos conecta”, né?

Cheers!

Vídeo

Video

Cello Zero