deu saudades
Há um bom tempo eu não dava as caras em festas de quatro por quatro em Brasília. Para falar a verdade, eu sou meio chato quanto a line ups e quanto ao estilo musical. E o glorioso 4×4, na minha opinião, tinha se transformado em algo enfadonho. Mas um pouco de fé me fez ir à noite 5uinto, quinta-feira passada. Não tinha grandes expectativas, afinal eu não sou muito fã da levada minimal que invadiu de assalto a noite da cidade, mas resolvi arriscar.
Sou daqueles que só entra em festa se constarem pelo menos dois DJs que me agradam na lista de tocadores. Hopper e Ricco? Mais que suficiente, né? Entrei.
Logo de cara já me surpreendi com o novo visu do Hopper. Provavelmente vamos entrar numa bela disputa de topetes, a partir de agora, hehe. Como cheguei cedo, o BPM andava lá por baixo e ainda tinha pouca gente na pista. Com um tempinho, fui observando a subida gradual e as pessoas chegando. O divertido de ir ao espaço galleria, é saber que mesmo que muita gente nem esteja ali pela música, o ambiente é, definitivamente, o top do underground. Voltando ao set do Giu: cozinhou pouco, o que me surpreendeu. Apesar do BPM baixo, aproveitei bastante uma boa seqüência de faixas inspiradas, algumas mais cheias (como eu acho que tem que ser) e outras com uma pegada mais tech, que também não me desagradaram. Uma boa mexida no esqueleto.
Depois veio Ricco. Assim como Giu, Ricco era um dos favoritos na saudosa época do pesado e rebolativo ‘technão’. Então queria ver o que essa nova levada de faixas havia feito com o amigo sardento. Confesso que não entendi muito o começo do set dele. A minha impressão é que ele estava meio perdido, em meio ao progressive e o electro. Mas é inegável que o bom gosto sempre salva um set. Mais para o meio, senti que Ricco encontrou a si mesmo e à pista. Foi coroado com uns bons gritos. Matei a saudade de ver um dos meus DJs favoritos de volta ao lugar ao qual pertence.
Pensei em esperar para ver o DJ Dan, pois não conhecia o seu som. No entanto, na última faixa de Ricco, enquanto dançava com vontade (se não me engano foi a “Raining Again”, de Moby, na versão de Steve Angello), Dan entrou e começou a puxar o pitch pra baixo. Não sei quem de nós dois está ficando velho - o DJ que entrava, ou eu -, mas a leve desaceleração já me trouxe uma verdadeira ânsia pela porta da saída, antes que a noite perdesse totalmente a graça.
Valeu a pena. Agradeço a quem fez o line up por colocar o Hopper e o Ricco no mesmo dia. Sinto que ainda há uma esperança pelo meu gosto em relação às batidas retas. Como o próprio Hopper disse em um de seus posts passados, chega de “goteira”.


Hélio, que ótimo ver esse review da festa como primeiro post do seu blog. Acho que deu para você constatar que o que vivo dizendo… Minimal e electro são temperos dos meus sets e não ingredientes principais. Sou um DJ de tech house (techno e house). Gosto de boa música e não me prendo aos rótulos delas. Quanto ao bpm, é o normal de tech house para não “entortar” as faixas e ficar o mais próximo de como foram feitas, mantendo o groove original. Seja bem-vindo ao Tuntistun. Ah! Em tempo… É topete ou moicano? Abraços.
Pô… bom demais o review… e bom demais ver vc como colunista aqui do TTT. Concordo com quase tudo, e fiquei muito feliz em ver algumas pegadas novas no set do Hopper, mas confesso que ainda rezo por uma subida maior no BPM pra me fazer sorrir de verdade, coisa que encontrei nos 25 minutos finais do set do Ricco… “Rainning again” e “My beatbox” puseram a pista abaixo, além de algumas faixas nacionais que o Riccones tocou. Como vc me disse na saída da festa, ele “deixou sua marca na pista”. E eu agradeço por isso!!! Abração, miséria!!