MGMT faz show P&B no Tim do Rio
Por Silval Neto
Quem não curte dar uma fugidinha de Brasília para alimentar a alma com cultura e diversão? Principalmente se o roteiro for Rio ou São Paulo (nacionalmente falando). No último fim de semana, quem passou por essas capitais pôde conferir o Tim Festival. Com uma programação extensa, os que costumam ouvir de tudo tiveram dificuldades em escolher a atração principal. Uma delas, que recebeu grande destaque da mídia, da galera hype, do Justice, dos que gostam Secos & Molhados e do elenco global de A Favorita (pelo menos dois atores de cada núcleo foram conferir) foi o The Management, que resolveu facilitar na pronúncia e agora é só MGMT mesmo.
Pois é. No Tim do Rio, o MGMT protagonizou muita expectativa e pouca satisfação. Não sei se em Sampa, mas na capital carioca a galera fez cara de “ãh?!”. O show foi completamente diferente do que fãs estavam acostumados. Do visual ao musical, as coisas foram bem distintas. Para começar, quem subiu ao palco não foi aquela galera hypadíssima, cheia de cores, trapos amarrados pelo corpo e óculos wayfare na cara. O mise em scène foi zero. Parecia uma banda de rock qualquer (o que não era para ser no caso do MGMT), bem diferente da proposta “comercial” dos caras.
Já no som, as baladinhas dançantes com elementos psicoeletrônicos e eletrodélicos perderam espaço para as guitarras pesadas. A dupla Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden (fui buscar os nomes no Google), com medo de não fazer muito barulho, decidiu chamar mais três músicos (bateria, teclado e mais uma guitarra). O resultado foi um show mais pesado que o disco, com muitos elementos de rock progressivo e hard rock. Nada a ver com os álbuns e vídeo clipes da banda.
O público ficou atônito, surpreso e um tanto quanto sem graça. Todos pensaram que fossem pular horrores. A galera até que vibrou na hora dos hits Oracular Spectacular, Electric Feel, Time to Pretend e Kids, que tocada por último, conseguiu tirar todo mundo do chão. As demais músicas não conseguiram embalar a multidão. Não por serem desconhecidas, mas estranhamente comuns. Inclusive, o bar esteve cheio durante todo o show e a pista altamente transitável. Esse costuma ser um termômetro de espetáculos aqui no Brasil. Será que a Madonna vai ser assim?
No caso do MGMT, as pessoas só queriam ver no palco tudo o que já haviam consumido anteriormente. Querendo ou não, eles são uma turma bem comercial e arrebanham público não só pelo estilo musical, mas pelo conjunto da obra. No final da festa, quem esperou por uma apresentação colorida, dançante e animada teve que se contentar com um show de rock em preto e branco… e sem direito a bis.
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