O techno não morreu!
Meu primeiro log aqui, falando da Love 2007 não vai ser sobre música quebrada. Eu quero falar de Renato Cohen.
Foram lindos os momentos nos quais pude conferir a tenda Electrohouse da Love. Não pelo nome, mas pelo conteúdo, porque como todo mundo sabe, Electrohouse não é nada a minha praia. Vou falar do Cohen porque é até covardia querer falar de Mau Mau, afinal, ele é quem ele é e dá prazer vê-lo tocar. Ainda mais quando se é DJ e se preza a cultura do vinil. De disco em disco, ele construiu um set gostoso, fora de tendências e o principal, que muita gente esquece, dançante. Você só nota a mixagem porque as músicas são variadas entre elas, mas sai tudo muito liso no set. Lindo de se ver.
Mas Renato Cohen? Cruzes, quase sem palavras. Com seus 131-133 BPMs e com um monte de música gorda (como música de pista tem que ser), o cara arrebatou todos os sorrisos da pista que não era só feita de ‘catequizados’, mas que pareceu por uns momentos. Todo mundo dançando, como nos tempos em que a boa diversão ainda imperava nas nossas pistas. E o Cohen virando uma atrás da outra, com uma perfeição que me surpreendeu. De alma lavada, dançando 4×4 com vontade novamente, me senti feliz por ter notado que o techno ainda faz a cabeça das pessoas nessa cidade, mesmo que elas só notem isso quando os pés delas não conseguem parar de dançar. E cá entre nós: o melhor trabalho de Cohen não foi nem discotecando nem produzindo. Foi escolhendo o nome daquela música. Existe nome melhor praquilo que “Pontapé”?


realmente a onda do minimal e do electro chegou forte e já da sinais de cansaço… sou a favor da progressão e experimentação de novos rumos da e-music, mas confesso ter saudades das boas e velhas festas regadas ao mais puro techno. Pontapé marcou uma época tornando-se um hino desde o primeiro momento que tocou nas pistas, a considero atemporal assim como o bom 4×4…
Magrao,
vc ta escrevendo como gente grande hein?!
A tendencia minimalista esta acabando… ja deu!
Vide os produtores q estao lancando tracks com mais frequencia… Acho q agora o som ta ficando mais “gordo” e com isso do jeito q a gente gosta!
Acho q vai ter mais “coisas” votlando…
;)
Prezado Hélio Weirdo, a cada vez que leio um texto teu, um sorriso se abre em meu rosto… confesso que sou um pouco tendencioso, porque todo mundo sabe que sou teu fã, e adoro o que e como vc escreve. Ainda mais nesse caso, que tu fala do que eu gosto (techno) e como eu gosto (tocado por Renato Cohen). Concordo com você em gênero, número e grau. Lindo ver uma platéia de “pagãos” dançando ao som do irresistível techno. Claro, repito, que minhas opiniões aqui expressas são completamente tendenciosas, uma porque eu gosto de vc escrevendo, e outra porque eu AMO techno, mas, convenhamos, Renato Cohen foi o melhor da noite.
Adorei o Mau Mau tocando, afinal, ele é o Mestre, e tocou como deve tocar. Mas confesso que me surpreendi e gostei muito mais ao ver Renato Cohen tocando o que tocou, puro techno, sem frescura. Eu não parava de sorrir e de dançar um segundo sequer!! Depois desse set dele, tenho a certeza de que ele sequer cogitou tocar um pouco que seja de eletro ou minimal. Não que não existam faixas boas, claro que existem, sabemos que a unanimidade é burra, mas a progressão - e o que digo aqui foi provado por a mais b na Love - é indispensável para o bom andamento da festa… assim, digo com absoluta convicção: o techno não morreu!!
Pura diversão o set dele… um verdadeiro “Pontapé” na boca do estômago.
Ler: O techno não morreu é lindo, mas, o melhor mesmo, foi ter estado naquela pista e dançar, afinal na pista se dança…
foi relembrar muita coisa boa e quem sabe sanar um pouco da carência…
Cadê a fuckin’ techno pra sanar essa carência toda?
Bela matéria parabens Weirdo!!!
Ainda quero ver ele e a Kammy juntos…
>=)
Muito bom o texto!
Até hoje não acredito que perdi o Set do Cohen… ¬¬
Mas curto Pontapé desde que foi lançada!
=D
Excelente texto meu caro Weirdo!
Eu não sou nenhum pastor de igreja pra catequizar ninguém, mas eu acredito que o techno tem uma força na pista que vai além de tendências. Techno, assim como House e outros estilos, é base para muitas das coisas que estram e saem da cena música eletrônica.
Acredito que o bom e velho techno SEMPRE vai fazer gerações e mais gerações dançarem.
Já te falei que tenho prazer em ler quando você escreve né Magro? Cara, foi foda mesmo o que o Cohen fez, aliás, ele não fez nada, nós que estamos desacostumados a escutar techno em Brasília. Sou do house, mas tem coisa melhor do que dançar techno bem chacoalhado lá pras 04hrs da manhã acompanhado de um bom copo de vodka com energético? Não tem!
o techno nao morreu: subiu no telhado …
Hélio. Meu post não tem absolutamente nada a ver com seu post “Techno não morreu”. Mesmo porque para mim nunca morreu. Pelo contrário, está mais presente do que nunca em outras sonoridades e estilos. Mas ao contrário do que acham os integrantes de uma facção xiita super conservadora de technoheadz que faz o estilo ganhar antipatia pelo mundo afora (tem uma matéria antiga e super boa sobre isso escrita pelo Camilo Rocha no Rraurl explicando os motivos para o crescimento do trance e para o declínio do techno), eu acredito que uma certa de techno está caducando sim. Meu papel como DJ é divertir e mostrar algo inovador sempre, não me prendendo às fórmulas óbvias e “fáceis” do 4×4. Adoro sonoridades do passado. São sempre referências para se construir um som novo. As pessoas acham que atacando o minimal vão estar me ofendendo. Isso para mim soa piada mesmo porque isso não me ofende. Dane-se o minimal, house, electro, techno… Viva o rock´n roll. Hahahaha. Toco tudo aquilo que acho bom e válido para um pista funcionar como eu quero, inclusive techno. Algumas pessoas não acompanharam a evolução da música, não somente do techno, e ficaram pelo caminho. Muitos DJs se aposentaram. Alguns muito bons mesmo. Mas nós vivemos outros tempos e a coisa não é assim tão simples. Para tocar sempre, ter uma carreira ou futuro como DJ/produtor profissional é preciso ter, além de técnica, bom gosto e sensibilidade musical, noções de mercado, articulação e, principalmente, atualização musical e atitude. Prova disso são vários DJs de techno idolatrados até mesmo pelos xiitas technoheadz. Veja os playlists destes caras atualmente. Está tudo misturado. Não tocam somente techno como desejam os xiitas conservadores. Isso os mantém vivos musicalmente e profissionalmente. Senão é bom largar a profissão e ir fazer outra coisa na vida. É a realidade.
Quanto ao set do Komka… É coisa de gosto de cada um. É um som muito inteligente para a massa mesmo. É hermético e para quem conhece profundamente techno, porque aquilo ali é techno na forma mais clássica e séria que o termo pode ter desde que foi criado. Não rolou empatia com a pista, é verdade. Mas o set não deixou de ter seu valor. E foi como eu escrevi no post: o que vale é que todo mundo se divertiu, até mesmo um bando de xiitas. PS - Se eu não achasse que o som do Cohen iria acrescentar algo ao evento, teria pedido para não ter ele na minha pista. E não fiz isso. Então…
Esqueci de uma coisa: se as pessoas acreditam tanto neste formato de techno tocado pelo Cohen, acho que uma boa iniciativa seria que fizessem festas somente com este formato. Uma boa dica também seria trazer DJs de peso que toquem esta linha. Seria ótimo. Como disse o Nivas num post ai em cima… “Cadê a Fuckin Techno para sanar essa carência???”